· Neolíria ·

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Boas-vindas!

Este é o território do renascer, onde o novo se revela no eco da antiga voz. Neolíria dá forma ao lirismo que resiste e ao retorno do que nunca deixou de existir. Aconchegue-se e fique à vontade! Que cada leitura seja um reencontro com o novo, onde algo em ti também floresça. <3

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O luto ainda pulsa,
Fez do meu peito morada
Anos a fio separam sua presença da minha
E, ao contrário do que ouvi dizer,
O tempo em nada amenizou

Mãe, daqui,
Meus olhos veem mais do que a realidade propõe
Há dores que respiram sob a pele do que sou
E, principalmente,
Do que aprendi ser
Depois da sua partida

Desejo, às vezes, costurar em mim
Uma proteção contra o mundo
Vigio a própria saudade,
Como quem acampa em campo minado,
Com o medo engatilhado no peito

Algumas tardes, o céu cor-de-rosa
Tenta me devolver a infância
A vida se comunica em sussurros
E me conduz, descalça, até você:
No aroma do seu Floratta Blue,
No bombocado recém saído do forno,
No alívio de chegar em nossa casa e abandonar os sapatos

E, por um instante, você volta
Fecho os olhos e quase sinto sua mão na minha,
O timbre da sua voz,
O estalo doce do seu beijo

Mas a vida me chama
Com sua urgência rígida e crua
E eu volto a ser o fragmento
Que aprendeu a existir sem você
A garganta arranha gritando palavras que soam o mais profundo silêncio. Em momentos como este, me permito abraçar a delicadeza das lembranças. Se não for o que tenho hoje, o que sobra de mim? Confesso: esqueci das promessas feitas há tanto. Sobrou pouco, muito pouco. Migalhas do que fui desenham meu eu.
a saudade se veste de várias maneiras
são disfarces sorrateiros
no menor descuido, percebo meu rosto molhado
eu não consigo dizer, mas sentir é inevitável

outro dia, ouvi Cássia Eller
e meus pensamentos foram tingidos dessa cor inebriante
que lembra você
minhas limitações são muitas
meus pensamentos sussuram baixinho
quanto ainda preciso aprender...

é convidativo morrer de amor
a paixão é uma janela aberta
a brisa suave vem lenta,
como o silêncio de domingo

o peso da expectativa me paralisa
me trava, me traga
a ponta dos dedos latejam o desejo que o corpo transborda
essa vontade insana, intrínseca
que ainda insiste em fazer arder e queimar meu corpo
se pernsonifica em várias línguas
em várias melodias

o vinho dissolve todo anseio
são as grutas do desejo
arrebentando meus poucos fios de sanidade
Em minha espera
Existe um coração ansiando acalento
A melodia que me acalma é sua voz
Sonoridade rouca, serenidade que é sinônimo de cuidado

Deixo claro: nada mudou
Meu amor é o mesmo, a saudade ainda castiga
Os domingos são tingidos de laranja,
Lembram a cor dourada da sua pele
As lembranças são os doces escondidos no fundo do armário

O tempo continua sendo esse senhor inconveniente…
Mas sou paciente: o simples toque da memória faz meu coração se inundar de alegria
Sorrio ao fechar os olhos e ser você quem eu vejo

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