O luto ainda pulsa,
Fez do meu peito morada
Anos a fio separam sua presença da minha
E, ao contrário do que ouvi dizer,
O tempo em nada amenizou
Mãe, daqui,
Meus olhos veem mais do que a realidade propõe
Há dores que respiram sob a pele do que sou
E, principalmente,
Do que aprendi ser
Depois da sua partida
Desejo, às vezes, costurar em mim
Uma proteção contra o mundo
Vigio a própria saudade,
Como quem acampa em campo minado,
Com o medo engatilhado no peito
Algumas tardes, o céu cor-de-rosa
Tenta me devolver a infância
A vida se comunica em sussurros
E me conduz, descalça, até você:
No aroma do seu Floratta Blue,
No bombocado recém saído do forno,
No alívio de chegar em nossa casa e abandonar os sapatos
E, por um instante, você volta
Fecho os olhos e quase sinto sua mão na minha,
O timbre da sua voz,
O estalo doce do seu beijo
Mas a vida me chama
Com sua urgência rígida e crua
E eu volto a ser o fragmento
Que aprendeu a existir sem você
Fez do meu peito morada
Anos a fio separam sua presença da minha
E, ao contrário do que ouvi dizer,
O tempo em nada amenizou
Mãe, daqui,
Meus olhos veem mais do que a realidade propõe
Há dores que respiram sob a pele do que sou
E, principalmente,
Do que aprendi ser
Depois da sua partida
Desejo, às vezes, costurar em mim
Uma proteção contra o mundo
Vigio a própria saudade,
Como quem acampa em campo minado,
Com o medo engatilhado no peito
Algumas tardes, o céu cor-de-rosa
Tenta me devolver a infância
A vida se comunica em sussurros
E me conduz, descalça, até você:
No aroma do seu Floratta Blue,
No bombocado recém saído do forno,
No alívio de chegar em nossa casa e abandonar os sapatos
E, por um instante, você volta
Fecho os olhos e quase sinto sua mão na minha,
O timbre da sua voz,
O estalo doce do seu beijo
Mas a vida me chama
Com sua urgência rígida e crua
E eu volto a ser o fragmento
Que aprendeu a existir sem você
· Neolíria ·