· Neolíria ·

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Boas-vindas!

Este é o território do renascer, onde o novo se revela no eco da antiga voz. Neolíria dá forma ao lirismo que resiste e ao retorno do que nunca deixou de existir. Aconchegue-se e fique à vontade! Que cada leitura seja um reencontro com o novo, onde algo em ti também floresça. <3

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Em minha corajosa insensatez
Sinto o insuportável peso do gosto do domingo
Nesses instantes, nas penumbras do tempo,
Lembro de coisas que não posso esquecer
Mas o recordar é doloroso

Escorre das mãos a razão
E um vergonhoso sentimento me inquieta:
Desejo adiar o amanhecer
Postergar pro futuro o prosseguir da vida

Aflitivas melodias me dão o súbito poder
De colocar em palavras os sentimentos que me atroplelam
Mas que jamais soube nomear

Talvez me faltem palavras
(Talvez, me foram roubadas)
Talvez me falte bagagem
(Talvez, eu que não faça questão)
Encaro os olhos do passado
Você mora nele
Nesse corpo distante,
Na palavra escrita que se torna grande
Imensa demais pra ser ignorada…

Lembra de mim?

A garganta anuncia uma saudade
Sem nada dizer
Há apenas os sentimentos de um segredo ferido

Os dedos alcançam certa esperança
Relembro com o gosto na boca:
Somos um lamento vazio
Uma febre que arde sem cessar

A vizinhança sente o cheiro da minha tortura
Nada externo sara essa inquietação
Mas nada fora de mim existe
É só aqui dentro:
Um lugar que você não pode chegar

Respiro e sinto
Como facas afiadas em meu peito:
Tenho o dom de esquecer
De esconder
De muito bem fingir
Enquanto tento tornar minha necessidade de controle tragável
A venda dos olhos me faz flutuar

Volto pra um daqueles instantes em que se esquece do tempo
A vida me serve um banquete de lembranças
Cheiros e gostos batem à porta das sensações

A salivação se torna intensa
Engulo a seco
E me torno refém
Do que nunca vivi

Do coração ao corpo, do sentir ao instinto
Revivo delírios em que tanto mergulhei
Mas que de muito querer
Me afoguei
Sem sequer experimentar o gosto
Do que tanto quis sentir

Estou descalça
Meu coração pede abrigo
Caminho pelos corredores da razão
Sem conhecer muito do espaço
Mas a cada passo dado
Tenho mais certeza da minha busca

Das coisas mais lindas que guardo na memória
E as certezas que diversas vezes provei o gosto (e saboreei... e repeti...)
Apesar de agora não reconhecer o sabor
Uma nova certeza que tenho é a de que
Todos os gostos valeram a pena

Recrio um novo lar
Vivo ao encontro de novas descobertas
Acendo a fogueira mais calorosa pra continuar
E oferecer casa pras minhas novas convicções 

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